Instituto Nuno Nunes – Medicina Chinesa Clássica

Psicoterapia Tradicional

Profissional:

“A doença é o resultado dos erros que nos levam a viver em constante conflito com a nossa natureza...”

Há momentos em que aquilo que nos faz sofrer não cabe apenas num diagnóstico, num sintoma ou numa emoção. Podemos estar cansados sem compreender verdadeiramente porquê. Repetir os mesmos conflitos, saber racionalmente aquilo que deveríamos fazer e, ainda assim, não conseguir fazê-lo. Podemos ter dificuldade em tomar uma decisão, estabelecer limites, lidar com uma perda, ordenar uma relação ou simplesmente perceber que vida estamos a construir.

A Psicoterapia Tradicional nasce precisamente desta necessidade de olhar para a pessoa como um todo. É uma abordagem terapêutica assente numa visão clássica e integral da pessoa humana. Considera o corpo, a inteligência, a vontade, a afetividade, o carácter, os hábitos, as relações, as responsabilidades, os valores e o sentido que damos à nossa vida.

Não é uma consulta de Psicologia nem de Psiquiatria e não pretende substituir nenhuma delas. Também não parte do princípio de que todo o sofrimento é psicológico. Há sintomas que exigem investigação médica, perturbações psicológicas que necessitam de acompanhamento especializado e situações em que diferentes profissionais devem trabalhar de forma complementar. Reconhecer estes limites faz parte de uma prática responsável.

Porquê chamar-lhe Psicoterapia?

A palavra Psicoterapia é hoje imediatamente associada à Psicologia e à Psiquiatria. Por isso, é importante explicar o sentido em que utilizamos esta expressão. A palavra tem origem grega. Psychē é um termo antigo e complexo, habitualmente traduzido por alma, mente ou princípio vital, embora nenhuma destas palavras, isoladamente, esgote o seu significado. Therapeía remete para o cuidado, o tratamento e o ato de cuidar. É neste sentido mais amplo e tradicional que utilizamos a expressão Psicoterapia Tradicional: como um trabalho de cuidado da pessoa e da sua vida interior. Isto não significa que entendamos a mente como uma realidade isolada do corpo. Muito pelo contrário. Partimos de uma conceção da pessoa como uma unidade, aquilo que pensamos influencia aquilo que sentimos. Aquilo que sentimos pode influenciar as nossas decisões. Os hábitos transformam a forma como vivemos. O corpo influencia a nossa experiência emocional. As relações deixam marcas, a nossa história condiciona-nos sem necessariamente nos determinar e as escolhas que repetimos contribuem, progressivamente, para formar o nosso carácter.

Por isso, cuidar da pessoa exige olhar para mais do que sintomas isolados. A Psicoterapia Tradicional não realiza consultas de Psicologia ou de Psiquiatria e não pretende substituir diagnóstico, avaliação ou tratamento psicológico, psiquiátrico ou médico quando estes são necessários. O seu campo de trabalho é o da pessoa, da sua vida interior e da forma como está concretamente a viver.

Uma visão tradicional da pessoa

Chamamos-lhe também «Tradicional» por uma razão. A preocupação com a mente, as emoções e o sofrimento humano não começou com o aparecimento da Psicologia moderna. Durante séculos, a filosofia, a medicina e diferentes tradições de pensamento procuraram responder às grandes questões da existência humana.

O que significa viver bem?
Como devemos lidar com o medo, a tristeza, a ira ou o desejo?
Como se forma o carácter?
Porque repetimos comportamentos que sabemos que nos prejudicam?
Como podemos distinguir aquilo que depende de nós daquilo que precisamos de aceitar?
O que significa ser livre?
Que responsabilidades temos perante nós próprios, a família e os outros?
Como devemos agir quando aquilo que desejamos entra em conflito com aquilo que sabemos que devemos fazer?
O que torna uma vida verdadeiramente boa?

A Psicoterapia Tradicional recupera esta tradição de reflexão sobre a pessoa e coloca-a em diálogo com aquilo que hoje sabemos sobre saúde, comportamento e funcionamento humano. Não rejeitamos o conhecimento contemporâneo. A Medicina, a Psicologia e a Neurociência trouxeram conhecimentos indispensáveis e estabelecem referências fundamentais quando estamos perante doença, psicopatologia ou risco. A tradição não substitui a ciência, mas também existem perguntas humanas às quais uma análise clínica ou científica, por si só, não consegue responder. A ciência pode ajudar-nos a compreender como funcionamos. Não determina, por si mesma, aquilo que devemos fazer com a nossa liberdade, que responsabilidades devemos assumir, que tipo de pessoa queremos ser ou o que constitui uma vida bem vivida. É também nesse espaço que trabalha a Psicoterapia Tradicional.

Uma abordagem diferente à pessoa

Para compreender uma pessoa não basta perguntar o que sente. É necessário procurar compreender como vive. Como pensa. Como decide. O que deseja. O que teme. O que evita. Que hábitos adquiriu. Como reage perante a adversidade. Que relações mantém. Que responsabilidades assume ou evita. Como está o seu corpo. Como dorme. Como se alimenta. Como trabalha. Que conflitos repete. Que acontecimentos marcaram a sua história. Que valores orientam as suas escolhas. E há uma pergunta particularmente importante:

Que pessoa está a tornar-se através da forma como vive?

Por isso, a consulta não se limita à gestão das emoções. Procura compreender a relação entre corpo, pensamento, afetividade, vontade, comportamento, carácter, relações e circunstâncias concretas de vida.

O lugar da Filosofia

A Filosofia ocupa um lugar importante na Psicoterapia Tradicional. Não enquanto exercício académico ou discussão abstrata, mas enquanto instrumento para pensar melhor sobre a própria vida. Muitas das dificuldades que enfrentamos não são exclusivamente psicológicas. Há conflitos entre aquilo que queremos e aquilo que sabemos que devemos fazer. Há decisões difíceis, há responsabilidades que não podemos evitar sem consequências. Há perdas que não podem ser resolvidas, apenas integradas. Há circunstâncias que podemos mudar e outras que precisamos de aprender a aceitar. Há questões sobre amor, família, trabalho, dinheiro, dever, culpa, perdão, justiça, sofrimento, liberdade, responsabilidade, verdade, bem e sentido. Nestes casos, não basta perguntar «o que estou a sentir?». Por vezes é necessário perguntar «o que está realmente a acontecer?», «o que depende de mim?», «qual é a minha responsabilidade?», «que possibilidades tenho?», «o que seria justo fazer?» ou simplesmente «como devo viver perante isto?».

 

A Filosofia ajuda-nos a fazer melhores perguntas, esclarecer conceitos, confrontar contradições, examinar crenças e pensar com maior rigor antes de decidir.
 
O corpo também faz parte da pessoa

Não existe vida interior sem corpo. Sono, alimentação, exercício, doença, dor, alterações hormonais, cansaço, medicação, consumo de álcool ou outras substâncias, ritmos de vida e diferentes condições de saúde podem alterar profundamente a forma como uma pessoa pensa, sente e reage. A Psicoterapia Tradicional procura, por isso, não separar artificialmente aquilo que pertence à mesma pessoa. As tradições clássicas de saúde podem também oferecer formas próprias de compreender constituição, emoções, ritmos, hábitos e relação entre a pessoa e o seu modo de vida. Estas perspetivas são utilizadas respeitando a linguagem e os limites das diferentes tradições, sem apresentar analogias como equivalências científicas nem substituir aquilo que sabemos através da Medicina contemporânea. Sempre que existam sinais que possam indicar doença física, perturbação psicológica ou psiquiátrica ou outra situação que exija avaliação especializada, essa necessidade deve ser reconhecida e devidamente encaminhada.

Como decorre o processo?

Não existe um percurso exatamente igual para todas as pessoas. Cada pessoa chega com uma história, circunstâncias, dificuldades, responsabilidades e objetivos diferentes. Contudo, existe um movimento fundamental que orienta o processo.

Primeiro, compreender.

Antes de tentar mudar alguma coisa, precisamos de perceber o que realmente está a acontecer. Nem sempre o problema que inicialmente apresentamos é o verdadeiro problema.

Depois, reconhecer.

Reconhecer padrões, emoções, medos, conflitos, hábitos, comportamentos, formas de relacionamento, mecanismos de defesa, capacidades, fragilidades e escolhas repetidas.

Em seguida, ordenar.

Perceber o que é importante e o que é secundário. O que depende da pessoa e o que não depende. Que desejos precisam de ser questionados. Que responsabilidades precisam de ser assumidas. Que relações necessitam de limites. Que hábitos precisam de mudar. Que partes da vida estão desordenadas.

Depois é necessário escolher.

Porque compreender não chega. Podemos compreender perfeitamente porque fazemos determinada coisa e continuar a fazê-la durante anos. Mudar exige decisão e decidir bem implica aprender a escolher prudentemente perante circunstâncias que raramente são perfeitas.

Finalmente, é necessário praticar.

Aquilo que compreendemos precisa de chegar à vida concreta. Uma decisão transforma-se numa ação. A repetição das ações cria hábitos. E os hábitos contribuem para formar o carácter e mudar progressivamente a forma como vivemos. Compreender. Reconhecer. Ordenar. Escolher. Praticar. É este o movimento fundamental da Psicoterapia Tradicional.

Em que situações pode ser útil?

A Psicoterapia Tradicional pode ser particularmente útil quando uma pessoa atravessa períodos de mudança, conflitos familiares ou relacionais, perdas e processos de luto, dificuldades em tomar decisões, sentimentos de culpa, medo ou preocupação, dificuldade em estabelecer limites, repetição de determinados padrões de comportamento, sensação de estagnação, conflitos entre aquilo que deseja e aquilo que considera correto, perda de direção ou crises relacionadas com o sentido da própria vida. Pode também ser procurada por quem não apresenta necessariamente um problema psicológico, mas sente necessidade de se conhecer melhor, compreender determinados padrões, desenvolver o carácter, adquirir melhores hábitos, melhorar relações ou alcançar maior coerência entre aquilo em que acredita, aquilo que escolhe e a forma como efetivamente vive. Quando os sinais apresentados fazem suspeitar de uma perturbação psicológica ou psiquiátrica, a Psicoterapia Tradicional não substitui a avaliação e o acompanhamento pelos profissionais competentes.

Não procuramos apenas sentir melhor.

Naturalmente, queremos diminuir o sofrimento sempre que isso seja possível. Mas uma vida boa não pode ser reduzida à ausência de emoções desagradáveis. O medo pode existir perante uma decisão que precisa de ser tomada. A tristeza pode ser uma resposta humana adequada perante uma perda. A culpa pode obrigar-nos a olhar seriamente para aquilo que fizemos, embora também possa tornar-se desproporcionada ou patológica. A ansiedade pode exigir avaliação clínica, mas nem todo o desconforto perante o futuro constitui uma doença. Nem todas as emoções difíceis precisam de desaparecer. Algumas precisam de ser compreendidas, outras reguladas, algumas enfrentadas e outras simplesmente atravessadas. Por vezes, crescer exige ter uma conversa difícil, reconhecer um erro, colocar um limite. Abandonar um hábito, assumir uma responsabilidade, pedir ajuda. Perdoar, aceitar não ser perdoado, mudar de direção, cumprir um dever quando não nos apetece, ou aceitar aquilo que já não podemos mudar. Por isso, o objetivo da Psicoterapia Tradicional não é ensinar a pessoa a evitar todo o desconforto. Também não é dizer-lhe como deve viver. É ajudá-la a pensar com maior clareza, compreender-se melhor, reconhecer aquilo que a condiciona, desenvolver maior liberdade interior e responsabilidade pelas suas escolhas e adquirir ferramentas que lhe permitam agir sobre aquilo que efetivamente pode mudar.

Uma pessoa não é apenas aquilo que sente

Somos também aquilo que pensamos, desejamos, escolhemos, fazemos e repetimos. Somos seres corporais, racionais, afetivos, relacionais e sociais. Temos uma história que nos influencia, circunstâncias que não escolhemos e limites que não conseguimos eliminar. Mas possuímos também alguma capacidade para responder àquilo que nos acontece, assumir responsabilidades, desenvolver hábitos, corrigir erros, reorganizar prioridades e escolher a direção que queremos dar à nossa vida. É precisamente aí que a Psicoterapia Tradicional procura trabalhar. Não prometemos uma vida sem sofrimento, não procuramos eliminar todas as emoções difíceis, não transformamos todos os problemas humanos em perturbações psicológicas. Procuramos ajudar cada pessoa a compreender melhor aquilo que está a viver, ordenar aquilo que pode ser ordenado, aceitar aquilo que não pode ser mudado, escolher prudentemente o bem possível e transformar essas escolhas em ações concretas. Porque cuidar da nossa vida interior não significa apenas procurar sentir melhor. Significa também aprender a viver melhor…

A Psicoterapia Oriental é uma abordagem de desenvolvimento pessoal e equilíbrio emocional baseada nos princípios da Medicina Chinesa Clássica.

Não se trata de uma consulta de Psicologia, mas sim de um processo de acompanhamento que procura compreender a relação entre pensamentos, emoções, comportamento, saúde e sentido de vida, a partir de uma visão integrativa do ser humano.

Na tradição da Medicina Chinesa Clássica, corpo e mente são entendidos como diferentes manifestações da mesma realidade. As emoções influenciam a saúde física. Os pensamentos influenciam as emoções. As experiências moldam a forma como interpretamos o mundo. E a forma como interpretamos o mundo influencia as nossas escolhas, os nossos comportamentos e a nossa qualidade de vida.

Ao longo dos anos, muitas pessoas desenvolvem padrões internos que limitam a sua capacidade de adaptação. Medos, preocupações constantes, excesso de controlo, dificuldade em tomar decisões, sentimentos de culpa, conflitos relacionais ou a sensação persistente de viver sem direção podem tornar-se fontes de sofrimento e desgaste.

A Psicoterapia Oriental procura ajudar a pessoa a identificar esses padrões, compreendê-los e transformá-los. Mais do que analisar problemas isolados, procura desenvolver uma visão mais profunda sobre quem somos, como funcionamos e de que forma podemos construir uma vida mais consciente, equilibrada e alinhada com os nossos valores.

A consulta pode ser útil em situações como:

  • Ansiedade, stress e sobrecarga emocional
  • Dificuldades relacionais e familiares
  • Processos de separação, perda ou luto
  • Baixa autoestima e falta de confiança
  • Sensação de bloqueio ou estagnação pessoal
  • Dificuldade em tomar decisões importantes
  • Falta de motivação ou de sentido de vida
  • Gestão emocional e desenvolvimento da resiliência
  • Autoconhecimento e desenvolvimento pessoal

 

Sempre que necessário, esta abordagem pode ser integrada com outras estratégias terapêuticas e não substitui o acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico quando estes se revelam indicados.

O principal objetivo da Psicoterapia Oriental é ajudar a pessoa a desenvolver uma mente mais organizada, uma maior estabilidade emocional e uma relação mais consciente consigo própria e com a vida.

Porque quando compreendemos melhor quem somos, tendemos a fazer melhores escolhas. E quando fazemos melhores escolhas, criamos condições para uma vida mais equilibrada, mais saudável e mais significativa.